O problema não é usar inteligência artificial para fazer um site. Nós mesmos usamos IA como ferramenta em várias etapas de trabalho.
O problema começa quando você entrega 100% da construção para ela e assume que, porque apareceu algo bonito na tela, aquilo virou um bom site.
Porque existe uma diferença gigantesca entre um site que existe e um site que trabalha para o seu negócio.
A IA sabe criar uma página. Ela não conhece a sua empresa.
Uma IA consegue montar hero, cards, menu, rodapé, formulário e uma sequência de seções visualmente aceitável.
O que ela não sabe sozinha é: qual serviço dá mais dinheiro para sua empresa, por que seu cliente escolhe você e não o concorrente, qual objeção faz alguém desistir da compra, que informação precisa aparecer antes do botão de orçamento e qual público realmente vale a pena atrair.
Sem essas respostas, o que normalmente nasce é um template muito competente em parecer um site.
E esse é justamente o perigo. Ele parece pronto.
A Nielsen Norman Group avaliou ferramentas de IA voltadas para UX e encontrou limitações parecidas. Mesmo com bastante contexto, algumas ferramentas continuavam produzindo layouts genéricos e semelhantes. A pesquisa também apontou profissionais usando IA principalmente como apoio para brainstorming e tarefas secundárias, não como substituta do processo de design.
Bonito não significa fácil de usar
Esse erro acontece muito.
A pessoa abre o site e pensa: “caralho, ficou bonito”.
Só que seu cliente não entra no site para admirar seu gradiente. Ele quer encontrar uma informação, entender se você resolve o problema dele e decidir se vale a pena entrar em contato.
É aí que entram UX, hierarquia, arquitetura de informação, legibilidade, navegação, contraste e dezenas de decisões pequenas que parecem invisíveis quando estão certas.
Uma ferramenta consegue escolher onde colocar um botão. Um processo de design precisa responder por que aquele botão está ali.
Tem uma parte ainda menos divertida: segurança
Aqui o papo deixa de ser estético.
Um estudo acadêmico analisou 2.500 sites PHP gerados pelo GPT-4 e encontrou pelo menos uma vulnerabilidade explorável via interação web em cerca de 26% das amostras analisadas. Em cenários específicos envolvendo upload de arquivos, a proporção de implementações inseguras chegou a 78%.
Isso não quer dizer que “26% de todos os sites feitos com IA são hackeáveis”. O estudo avaliou uma tecnologia, um modelo e tarefas específicas.
Mas mostra uma coisa extremamente importante: código funcionando não é a mesma coisa que código seguro.
A OWASP mantém uma das referências mais utilizadas do mundo sobre riscos de aplicações web. A edição de 2025 inclui problemas como controle de acesso quebrado, configurações inseguras, injeção, design inseguro e falhas de autenticação.
E não, o Google não liga se você usou IA
Essa parte é importante porque existe muita besteira circulando por aí.
O Google não possui uma regra dizendo: “esse site foi feito por IA, menos 50 pontos”. Não funciona assim.
O problema é o resultado.
O próprio Google recomenda conteúdo útil e confiável, criado pensando primeiro nas pessoas, além de títulos claros, headings descritivos, links rastreáveis e termos que realmente correspondam ao que as pessoas procuram.
Você pode ter um site 100% escrito à mão e fazer um SEO horrível. E pode usar IA durante a produção e fazer um SEO excelente.
SEO não é um botão.
A velocidade também importa mais do que parece
Você já entrou num site que demora uma eternidade, toca nas coisas e nada responde ou começa a pular enquanto carrega?
Seu cliente também odeia.
O Google usa métricas chamadas Core Web Vitals para avaliar aspectos reais da experiência, como velocidade de carregamento, resposta às interações e estabilidade visual.
As referências recomendadas incluem LCP em até 2,5 segundos, INP abaixo de 200 milissegundos e CLS abaixo de 0,1.
Agora imagine um site gerado automaticamente cheio de animações desnecessárias, imagens gigantes, bibliotecas que ninguém precisava instalar e scripts que ninguém sabe por que estão ali. Na tela pode estar lindo. No celular do cliente com 4G ruim, virou um tijolo digital.
Seu cliente também pode não conseguir usar o site
Acessibilidade costuma ser esquecida porque muita gente só testa o site de uma forma: no próprio computador, com mouse, visão perfeita e internet rápida.
Só que pessoas navegam usando teclado, leitores de tela, zoom, diferentes dispositivos e várias tecnologias assistivas.
De novo, automação não elimina revisão. Ela só automatiza uma etapa.
Então não devemos usar IA para fazer sites?
Muito pelo contrário.
Seria absurdo ignorar uma ferramenta tão poderosa.
IA pode ajudar a gerar ideias, escrever código inicial, encontrar erros, criar componentes, organizar conteúdo, acelerar protótipos e economizar horas de tarefas repetitivas.
Ela é uma ferramenta absurda quando alguém sabe o que pedir, o que aceitar e, principalmente, o que rejeitar.
O problema é achar que a ferramenta substituiu o processo.
Ter acesso ao ChatGPT, Claude, Gemini ou qualquer construtor automático não transforma automaticamente uma empresa em especialista em UX, desenvolvimento, SEO, acessibilidade, segurança e estratégia.
O barato começa a ficar caro depois
É muito fácil comparar: “um profissional cobra R$ X e a IA fez por quase nada”.
Só que essa conta normalmente termina na publicação.
Ela não inclui site que não converte, correção de responsividade, retrabalho, problemas de SEO, manutenção confusa, vulnerabilidades, páginas que precisam ser reconstruídas, integrações quebrando e horas tentando descobrir o que o código gerado está fazendo.
A economia inicial pode ser real. Mas economia inicial e custo total são duas coisas completamente diferentes.
FONTES
Pesquisa por trás do artigo
- Google Search Central, Google Search Essentials
- Google Search Central, Core Web Vitals
- W3C Web Accessibility Initiative, orientação para ferramentas no-code
- OWASP Top 10: 2025
- ANPD, Guia Orientativo Cookies e Proteção de Dados Pessoais
- Nielsen Norman Group, AI UX-Design Tools Are Not Ready for Primetime
- Tóth, Bisztray e Erdodi, estudo acadêmico sobre código PHP gerado por LLMs
No final das contas, o problema não é a IA. É usar uma ferramenta sem direção.
IA consegue reduzir bastante o tempo de produção de um site. Isso é ótimo. O erro é confundir velocidade com qualidade. Um site de negócio precisa nascer do que a empresa vende, de quem ela quer atrair e do caminho que essa pessoa precisa percorrer até confiar o suficiente para entrar em contato.
E esse trabalho não termina quando a página fica bonita. Ainda existem decisões sobre hierarquia da oferta, argumentos, provas, experiência no celular, SEO, desempenho, acessibilidade, integrações, segurança, mensuração e manutenção. Quando ninguém está olhando para esse conjunto, dá para ter um site tecnicamente “pronto” que continua desperdiçando oportunidades.
Na Lumerexor, a gente não trata IA como inimiga. A gente usa quando ela acelera tarefas e melhora o fluxo. A diferença é que a ferramenta entra dentro da estratégia, não no lugar dela. O objetivo não é poder dizer que um site foi feito “na mão”. É conseguir explicar por que cada escolha existe e o que ela deveria fazer pelo negócio.
Se você já fez seu site com IA, isso também não significa que precisa jogar tudo fora. Às vezes a base está boa e o que falta é organizar, corrigir, melhorar a experiência e dar direção. E se você ainda vai começar, melhor ainda: dá para aproveitar a velocidade da IA sem terminar com mais um template genérico usando o seu logo.
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